
Claraboia
17 de janeiro de 2026 — 7 de março de 2026
Jirau é a primeira individual de Abiniel João Nascimento em São Paulo, realizada em parceria pela Claraboia e Marco Zero. A exposição reúne cerca de 15 trabalhos inéditos entre pinturas e esculturas. A partir do jirau — estrutura vernacular de madeira com múltiplos usos — a artista investiga transmutação, sociabilidade e relações entre humanidade e vida vegetal na Zona da Mata Norte de Pernambuco.
Jirau é a primeira exposição individual de Abiniel João Nascimento (Carpina, PE, 1996) em São Paulo, realizada em parceria pela Claraboia e Marco Zero. A mostra reúne cerca de 15 pinturas e esculturas inéditas, produzidas especialmente para a ocasião, articulando pesquisa material, gesto e território. O título remete ao jirau, construção vernacular de madeira — em formato de estrado ou palanque — usada para diferentes fins, como descanso, armazenagem de alimentos e, sobre brasas, fumeiro. Essa multiplicidade orienta a exposição como um campo de usos, transformações e permanências, no qual a artista investiga as relações entre humanidade e vida vegetal. A pesquisa se concentra nas dinâmicas da vida vegetal e nas formas de sociabilidade ligadas ao território de origem da artista, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Fibras de folhas secas da palmeira carnaúba são transmutadas em matéria escultórica e surgem suspensas por hastes de alumínio, em formas abertas e fluidas que ecoam a trama da planta. A relação entre espécie e indivíduo — tema recorrente em sua produção — aparece nas pinturas da série Inventário errante das plantas-irmãs, em que espécies nativas são fotografadas pela artista e identificadas por geolocalização no título. A partir dessas imagens, as silhuetas são pintadas de modo mais “anônimo”, destacando contornos. A exposição inclui ainda a série Barrigudas, composta por esculturas em cerâmica e cera de abelha que armazenam sementes, além de dois óleos sobre tecido que traduzem, em regime de abstração, modos de roçado no cultivo da terra.